Karine Nolan changes the world


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CHAPTER XXI - Closer ~SEASON FINALE~

Os pensamentos, dentro da sala onde aconteceria o parto, se reportaram para a adolescência dos dois. Conheceram-se desde muito cedo, tratavam-se como melhores amigos, amavam-se em segredo. Robert segurava firme a mão de Karine, enquanto o médico esperava que a anestesia fizesse efeito.

~flashback~

A tarde era cheia de cores, passeavam por um dos grandes campos próximos a escola. Encontraram uma grande árvore, já sem folhas por conta do outono vindouro, com um grande balanço amarrado nela. Karine sentou-se e pediu que ele empurrasse. Depois de algum tempo, sentaram-se lado a lado na grama.

- Quando eu for pra faculdade, quero sair daqui. - ela disse, cheia de sonhos infantis.

- Vai me deixar sozinho nesse lugar? - ele a olhava, sereno.

- Você vai comigo pra onde eu for, pra sempre, lembra? - ela sorriu - É promessa de dedinho.

Os dois sorriram e começaram a correr em volta da árvore, brincando, tranquilos, sem imaginar que o futuro lhes daria tantas surpresas.

~fim de flashback~

- Você vai comigo pra onde eu for… - Karine sussurrava, dando sinal de que a dor já havia sido diminuída.

Durante todo o trabalho de parto, em nenhum momento ele soltou da mão dela. Por mais que a força dela se multiplicasse com a dor, ele não parou de acariciar os cabelos dela e beijar-lhe a testa. Dizia que ela precisava ser forte. Dizia que tudo daria certo. Prometeu que jamais deixaria elas sozinhas. Prometeu que seria um ótimo pai. Karine urrava de dor. O suor e as lágrimas se misturavam. Não pensou que sentiria tanta dor, sempre se achou forte. Depois de mais de hora, um choro agudo foi ouvido. Helena pulou na sala de espera, sentindo o aviso do seu coração de mãe. Robert não conteve as lágrimas. Julie correu até o balcão, pedindo alguma informação. O pai surgiu no corredor, sorridente.

- Ela é perfeita. - todos sorriram e correram para parabenizá-lo.

- Já escolheram o nome? - Patrícia perguntou, abraçando Matheus.

- Alice. - ele suspirou - Quando a Karine segurou ela, nós dois escolhemos o nome ao mesmo tempo. Foi incrível.

- E quando nós vamos poder vê-la? - Richard perguntou, enquanto Helena ligava para o irmão mais novo de Karine. 

- Eles estão limpando ela. Acho que daqui a pouco já vamos poder segurar e encher de beijos. - Julie havia falado com o enfermeiro que saíra logo após Robert.

- Eu sou pai. - Robert vibrou, caindo no sofá.

A enfermeira trouxe a pequena menina, colocando-a no colo da avó. Helena sorria, conversando com a mocinha. Alice, mesmo que pequena, tinha alguns traços nítidos da mãe. O nariz, sem dúvida, era do pai. Todos queriam segurar um pouco a menina, mas Helena e Richard não desgrudavam da neta. Quando a enfermeira avisou que precisava levá-la de volta, Julie adiantou-se e tirou uma foto com a menina. Alice, em menos de vinte e quatro horas de vida, precisava estar nas redes sociais. Não havia um ali que não sorrisse sem parar. Matheus e Patrícia despediram-se, precisavam pegar o avião para Londres, prometendo que estariam ali para o natal. A família estava grande. Além disso, estava como sempre deveria ter sido e com um presente a mais. Não foi só Karine que teve um bebê. Todos sentiam-se responsáveis pela pequena vidinha de Alice.

Sentaram-se nas devidas poltronas, ela escorou-se no ombro dele. Não queriam esperar um segundo a mais para viver. Em poucas horas, estariam em Londres, procurando um novo apartamento um pouco maior e mais perto da agencia dela. Talvez comprassem um cachorro. Talvez pensassem em ter filhos. Agora, após a decolagem, ela tirou uma foto das nuvens abaixo do avião. Ele riu. Eles se beijaram discretamente.

- É assim que eu me sinto cada vez que chego perto de você. - ela mostrou a foto.

- Voando? - ele ironizou.

- Nas nuvens. - ela apertou as bochechas dele.

- Eu percebi que a gente nunca disse uma coisa.

- Que coisa, senhor Matheus? - ela ergueu a sobrancelha, forçando sotaque.

- Deixa pra lá… - suspirou - Na hora certa, do jeito certo, a gente diz.

Eles observavam a filha, atrás do vidro do berçário. Alice estava inerte em um sono tão tranquilo que os fazia ouvir as batidas do coração um do outro. Robert começou a cantarolar uma canção infantil, Karine acompanhou. Os olhos permaneciam fixos na menina.

- Dá pra acreditar que aconteceu com a gente? - ele sorriu.

- Você não está bravo comigo? - Karine perguntou, mordendo os lábios, ainda sem olhá-lo.

- Não. - suspirou - Acho que eu entendi que eu prefiro ficar com você, vivendo essas loucuras, aprendendo que o mundo dá um milhão de voltas por segundo, do que estar em qualquer outro lugar. - ela sorriu, olhando para ele.

- Isso quer dizer exatamente o quê?

- Que eu amo você. Que eu sempre amei, e que agora eu amo ainda mais. - ele passou o braço pela cintura dele, Karine acomodou-se no abraço dele.

De algum jeito que ninguém consegue entender, ela perdeu todo o medo. Continuava sendo a mesma Karine, às vezes imatura, muito maluca, mas com motivos pra seguir agora. Robert beijou a cabeça dela, e ao mesmo tempo alcançou o coração.

Louise continuava ao lado da cama dele, naquele hospital imenso em Londres. Chorava sem parar. O carro havia ficado completamente destruído, Daniel estava imóvel naquela cama. Ligado em aparelhos, não abrira os olhos ainda e os médicos diziam que as chances de que ele voltasse eram mínimas. Ela não conseguia entrar em contato com nenhum dos amigos. O coração não aguentava mais estar ali, só.

- Dan, por favor, eu preciso que você volte. - enxugou algumas lágrimas, segurou a mão dele - Se você consegue me entender, por favor, me dá um sinal.

Algum tempo se passou. Daniel apertou a mão dela, com força. Louise começou a cantar para ele, pedindo que ele ficasse com ela. Em um susto, ele abriu os olhos.


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CHAPTER XX - Shine

Ele iria embora naquela tarde, resolveram que passariam a manhã juntos. Caminharam pelo Central Park, conversaram e sorriram. Julie não conseguia esconder a necessidade de estar perto, junto a ele, por mais que tentasse. Rafael não podia negar que ela fora a melhor coisa na vida dele. Seguraram a mão um do outro e observaram algumas crianças correndo pela grama, brincando com cachorros, e mantinham um pensamento alinhado.

- Ju, eu preciso te entregar uma coisa. - ele soltou a mão dela e buscou um saquinho preto de veludo dentro do bolso. 

- Detesto ficar nervosa. - ela tremia, ele puxou um cordão de ouro branco com um pingente. Dentro do pingente, uma foto dos dois.

- Eu não quero que você esqueça de mim, nem que tenha motivos pra isso. - ele suspirou, ela riu.

- Isso é completamente impossível, Rafael. Já são anos. - apertou a bochecha dele, ele colocou o cordão no pescoço dela.

- Seria loucura demais se eu pedisse pra você ir comigo? - ele sussurrou no ouvido dela, o sorriso imediatamente desapareceu.

- Seria. - ela puxou o ar com força - Eu construí a minha vida aqui, e agora a Karine precisa de mim mais do que nunca.

- Ela sabe se cuidar.

- Não, ela não sabe, ela está grávida e deveria estar casada, mas fugiu do altar. - eles riram - Eu sinto vontade de ir com você e mudar completamente de rumo, mas não dá.

- Tudo bem, é loucura mesmo. Eu sou instável demais. - ele deu um sorriso torto, coçando a cabeça. Ela o beijou.

- Acho que consigo esperar mais alguns meses pra ter você de volta.

Os dois riram e continuaram caminhando. Ele sabia que Julie diria não. Sabia que todo o carinho que ela tinha pela amiga não seria cortado naquele momento, em que ela realmente precisava de apoio. Era justamente isso que fazia com que a amasse cada dia mais. 

Ela bateu na porta da casa dele, ainda cedo. Depois que o casamento dele foi interrompido pela notícia dela, não haviam conversado sobre o assunto. Agora estavam ali, silenciosos. Karine evitava o olhar dele, que mantinha-se fixo no rosto dela. Respirou fundo e preparou cada palavra que seria dita.

- Eu precisava dizer algumas coisas. - fechou os olhos, tomando coragem.

- Nós dois precisamos dizer muita coisa.

- O que a gente teve, foi um erro. Foram vários erros. - balançava a cabeça, arrastando o falar - Se você não quiser assumir o bebê, eu vou entender, e na verdade eu não me importo.

- Karine, eu… - ela o silenciou com as sobrancelhas erguidas e os olhos úmidos.

- É uma menina. Eu ainda não escolhi o nome. E preciso ir pra casa, descansar. - ela apertou a mão dele e saiu, deixando um vazio no ar.

Matheus e Patrícia estavam deitados, olhando para o teto e falando coisas sem sentido algum. Nada poderia ser melhor do que o que sentiam naquele momento, juntos, sem precisar levar a vida tão a sério. Ela ajoelhou-se na cama, de frente para ele. Mexeu nos cabelos desalinhados e compridos dele e beijou-lhe o rosto.

- Eu queria te contar uma coisa. - sorriu.

- Pode falar. - ele fez bico, os dois riram.

- Consegui um lugar na assessoria de imprensa de uma banda.

- Isso é maravilhoso, eu fico muito feliz. - ele apertou a mão dela.

- Eles são de Londres. - ele sentou-se na cama, sorrindo ao ouvir as palavras dela.

- Isso quer dizer que… - ela fez que sim com a cabeça.

Encontrariam um pouco de paz naqueles desencontros que a vida lhes dera. Tanto tempo se passara desde a primeira vez. Mereciam aquilo, o sentimento, a oportunidade, o presente. Vamos chamar de amor.

O telefone dele tocou, muito cedo. A voz era conhecida. Helena pedia que ele fosse ao hospital encontrar os outros. O bebê resolvera adiantar-se alguns dias. Ele vestiu-se, entrou no carro e disparou ao encontro do destino. As mãos tremiam, mal sabia o que fazer ou dizer. Entrou na clínica correndo e encontrou a mãe de Karine, calma, sentada em um dos sofás. Ela levantou-se para recebê-lo.

- Chegou a tempo. - sorriu, colocando as mãos na cintura.

- Eu vou poder entrar? - ele gaguejava.

- Ela pediu que você entrasse. Só você. - Julie estava sentada no sofá do outro lado da sala, tremendo tanto quanto ele e devorando as unhas.

- O médico vai avisar quando estiver tudo pronto. - Matheus cumprimentou-o.

- Cadê a Louise? - Patrícia perguntou.

- Ela não atende o telefone. - Julie entregou o celular para a moça e andou em direção ao futuro papai - Seja forte.

- Será que eu posso conversar um pouco com ele? - Richard, o pai de Karine, surgiu no corredor.

Os dois sentaram-se em um dos sofás, ambos nervosos e ansiosos por conhecer o novo membro da família. Richard apoiou a mão sobre o ombro de Robert e suspirou, abrindo um sorriso.

- Quando a Karine nasceu, eu realmente pensei que fosse desmaiar de tão nervoso. - arqueou a sobrancelha - Eu pensava que seria um péssimo pai pra uma menininha tão bonita como ela. Agora eu vou ser avô.

- E quem vai desmaiar sou eu. - ele estava branco pelo nervosismo, mas sorrindo.

- Vai dar tudo certo. Você só precisa saber de uma coisa, e vai conseguir qualquer coisa nesse mundo. - apontou o dedo para o coração do moço - Se você amar muito alguma coisa, faz o teu melhor por ela.

A enfermeira apareceu na porta, sussurrou alguma coisa para Helena, que fez sinal para Richard. A hora chegou.

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CHAPTER XIX - How to save a life

Os convidados estavam impacientes. A espera já durava quase uma hora e meia, e parecia que continuaria daquele jeito. Alguns desistiram de esperar. Os amigos próximos puderam entender o que estava acontecendo. Rafael estava sentado em um canto, olhando para o relógio e evitando colocar os olhos sobre a bela madrinha que conversava em um grupo, acompanhada por Thiago. Despediu-se deles e andou em direção ao único que lhe interessava.
- Deveria encontrar algo pra se distrair. - ela sorriu - Vai ser mais um casamento frustrado. Não tenho sorte mesmo.
- Não deveria deixar seu… Sei lá, sozinho. - ele respondeu, seco.
- Meu ex namorado, e agora amigo. - suspirou - Bom, tentei conversar com você, mas se prefere assim. - assim que ela virou-se, ele levantou-se e agarrou-a pelo braço.
- Por que você veio conversar comigo? - os olhos dele pareciam assustados.
- Talvez eu tenha sentido sua falta. - ela arqueou a sobrancelha, tentando soltar-se.
- Almoçamos juntos? - ele sorriu, ela retribuiu o sorriso e infiltrou-se entre os convidados.

- O que você disse, Karine? - Robert gritava.
- Rob, por favor, você não pode me ver antes da cerimônia. - Patrícia tentava tirá-lo da sala.
- E você sabia de tudo, e mesmo assim não me contou nada? - os gritos agora eram voltados para a noiva.
- O quão estúpido você é pra estar se casando com ela sem nenhum tipo de sentimento? Nem pena você consegue sentir por ela. - Karine ironizava, enquanto Patrícia prendia os cabelos em um coque e colocava o véu.
- Por favor, os convidados estão esperando. - a noiva tentava acalmar os outros dois.
- Continuem com isso. Não conseguem nem ser sinceros um com o outro.
Karine deixou a sala. Robert sentou-se, colocando as mãos sobre a cabeça. Patrícia tentava convencer-lhe a seguir com o casamento, poderiam pedir anulação na manhã seguinte, mas dispensar os convidados seria deselegante. Ele não disse uma palavra sequer. Levantou-se, saindo da sala e entrando no carro. Outro casamento fracassado em Hollywood, diriam os tablóides.
 
O almoço foi curto. Compraram alguma coisa no japonês do caminho e comeram sentados no tapete da sala, falando sobre o azar que o grupo tinha para casamentos. Riram lembrando-se dos acontecimentos no casamento de Daniel e Louise, do não e da fuga desesperada no casamento de Karine e Felipe, e por último o jeito que o garoto de recados com sotaque alemão avisou que os noivos ‘nom’ viriam casar. 
- Espero que tudo dê certo quando for a gente. - Rafael falou, enquanto bebia um gole de sua coca. Julie o olhava, forçando a testa.
- A gente? - ela riu.
- É, tipo, quando você se casar, ou eu me casar. - ele tossia, disfarçando - Todo mundo sabe que eu e você vamos acabar juntos. - ele ria.
Encerraram o assunto e a comida. Começaram a falar de música, coisa que os dois gostavam e entendiam. Riram ao recordar os grandes sucessos de suas infâncias, Julie comentou que ainda tinha alguns cds em cima do armário. Rafael foi buscar. Depois de uns cinco segundos, chamou-a dizendo que não conseguia achar.
- Me ergue. - Julie chegou, achando os cds em menos de cinco minutos.
- Onde eles estavam? - ele coçou a cabeça, colocando-a no chão.
- Na sua frente. - ela riu. Pôs um dos cds para tocar, sentaram-se na cama. Começaram a cantar.
- Isso é divertido. - ele sorria.
- Existe coisa mais divertida.
Ela tocou o rosto dele suavemente, os dois se beijaram. Os corpos foram inclinando-se, deitaram-se. As grandes mãos dele percorriam o corpo dela como nunca haviam feito antes. O sol ainda estava alto, e ainda assim eles permitiram-se. Depois de tantos anos, mereciam aquilo. Com carinho, mas com pressa, tiveram-se.

Louise havia tido alguns pesadelos terríveis e não conseguia aceitar que Daniel fosse embora naquele mesmo dia. Quando a gente gosta de alguém, sente se há algo errado ou algum risco. Ela sentia. Mesmo após várias conversas, ele precisava voltar. Trabalharia na manhã seguinte e o apartamento estava sozinho há tempo demais.
- Me liga assim que chegar lá, por favor. - ela disse, abraçando-o.
- Claro. - o peito dele estava apertado - Lou, independente de tudo, você sabe o quanto eu amo e admiro você, não sabe?
- Eu também amo você. - ela sorriu - Assim que eu puder, dou um jeito de ir visitar vocês.
- Tudo bem.
Eles beijaram-se demoradamente. Ele sentia medo. Aquela sensação ruim o acompanhava incansavelmente, ele não sabia o que fazer com ela. Três horas depois, o telefone dela tocou. O número era desconhecido. Atendeu, com o coração na mão, e viu cada um dos seus pesadelos tornando-se realidade.

CHAPTER XIX - How to save a life

Os convidados estavam impacientes. A espera já durava quase uma hora e meia, e parecia que continuaria daquele jeito. Alguns desistiram de esperar. Os amigos próximos puderam entender o que estava acontecendo. Rafael estava sentado em um canto, olhando para o relógio e evitando colocar os olhos sobre a bela madrinha que conversava em um grupo, acompanhada por Thiago. Despediu-se deles e andou em direção ao único que lhe interessava.

- Deveria encontrar algo pra se distrair. - ela sorriu - Vai ser mais um casamento frustrado. Não tenho sorte mesmo.

- Não deveria deixar seu… Sei lá, sozinho. - ele respondeu, seco.

- Meu ex namorado, e agora amigo. - suspirou - Bom, tentei conversar com você, mas se prefere assim. - assim que ela virou-se, ele levantou-se e agarrou-a pelo braço.

- Por que você veio conversar comigo? - os olhos dele pareciam assustados.

- Talvez eu tenha sentido sua falta.ela arqueou a sobrancelha, tentando soltar-se.

- Almoçamos juntos? - ele sorriu, ela retribuiu o sorriso e infiltrou-se entre os convidados.

- O que você disse, Karine? - Robert gritava.

- Rob, por favor, você não pode me ver antes da cerimônia. - Patrícia tentava tirá-lo da sala.

- E você sabia de tudo, e mesmo assim não me contou nada? - os gritos agora eram voltados para a noiva.

- O quão estúpido você é pra estar se casando com ela sem nenhum tipo de sentimento? Nem pena você consegue sentir por ela. - Karine ironizava, enquanto Patrícia prendia os cabelos em um coque e colocava o véu.

- Por favor, os convidados estão esperando. - a noiva tentava acalmar os outros dois.

- Continuem com isso. Não conseguem nem ser sinceros um com o outro.

Karine deixou a sala. Robert sentou-se, colocando as mãos sobre a cabeça. Patrícia tentava convencer-lhe a seguir com o casamento, poderiam pedir anulação na manhã seguinte, mas dispensar os convidados seria deselegante. Ele não disse uma palavra sequer. Levantou-se, saindo da sala e entrando no carro. Outro casamento fracassado em Hollywood, diriam os tablóides.

 

O almoço foi curto. Compraram alguma coisa no japonês do caminho e comeram sentados no tapete da sala, falando sobre o azar que o grupo tinha para casamentos. Riram lembrando-se dos acontecimentos no casamento de Daniel e Louise, do não e da fuga desesperada no casamento de Karine e Felipe, e por último o jeito que o garoto de recados com sotaque alemão avisou que os noivos ‘nom’ viriam casar. 

- Espero que tudo dê certo quando for a gente. - Rafael falou, enquanto bebia um gole de sua coca. Julie o olhava, forçando a testa.

- A gente? - ela riu.

- É, tipo, quando você se casar, ou eu me casar. - ele tossia, disfarçando - Todo mundo sabe que eu e você vamos acabar juntos. - ele ria.

Encerraram o assunto e a comida. Começaram a falar de música, coisa que os dois gostavam e entendiam. Riram ao recordar os grandes sucessos de suas infâncias, Julie comentou que ainda tinha alguns cds em cima do armário. Rafael foi buscar. Depois de uns cinco segundos, chamou-a dizendo que não conseguia achar.

- Me ergue. - Julie chegou, achando os cds em menos de cinco minutos.

- Onde eles estavam? - ele coçou a cabeça, colocando-a no chão.

- Na sua frente. - ela riu. Pôs um dos cds para tocar, sentaram-se na cama. Começaram a cantar.

- Isso é divertido. - ele sorria.

- Existe coisa mais divertida.

Ela tocou o rosto dele suavemente, os dois se beijaram. Os corpos foram inclinando-se, deitaram-se. As grandes mãos dele percorriam o corpo dela como nunca haviam feito antes. O sol ainda estava alto, e ainda assim eles permitiram-se. Depois de tantos anos, mereciam aquilo. Com carinho, mas com pressa, tiveram-se.

Louise havia tido alguns pesadelos terríveis e não conseguia aceitar que Daniel fosse embora naquele mesmo dia. Quando a gente gosta de alguém, sente se há algo errado ou algum risco. Ela sentia. Mesmo após várias conversas, ele precisava voltar. Trabalharia na manhã seguinte e o apartamento estava sozinho há tempo demais.

- Me liga assim que chegar lá, por favor. - ela disse, abraçando-o.

- Claro. - o peito dele estava apertado - Lou, independente de tudo, você sabe o quanto eu amo e admiro você, não sabe?

- Eu também amo você. - ela sorriu - Assim que eu puder, dou um jeito de ir visitar vocês.

- Tudo bem.

Eles beijaram-se demoradamente. Ele sentia medo. Aquela sensação ruim o acompanhava incansavelmente, ele não sabia o que fazer com ela. Três horas depois, o telefone dela tocou. O número era desconhecido. Atendeu, com o coração na mão, e viu cada um dos seus pesadelos tornando-se realidade.


CHAPTER XVIII - Sometimes

Assim que entrou no avião, decidiu que deixaria seu destino nas mãos do tempo. Rafael era acostumado a fazer isso. Naquele mês após o casamento frustrado de Karine, alguém especial aproximara-se dele. Não sabia se realmente sentia algo por ela, mas era bom ter uma companhia naquele lugar tão estranho. Fez dela uma nova melhor amiga, nada além disso. Nina era doce, gentil, carinhosa e muito educada. Uma peça chave na empresa, e agora na vida dele. Depois da última troca de email com Julie, ao ver algumas atualizações em redes sociais, foi impossível não ligar para a amiga. Em menos de dez minutos, Nina entrava sem pudor algum na grande casa em que ele vivia.

- Eu trouxe sorvete, as vezes esqueço que você é homem. - ela sorriu, colocando o sorvete na geladeira.

- Homens gostam de sorvete, Nin. - falou o nome dela como uma criança, fazendo com ela balançasse a cabeça negativamente.

- Estamos aqui pra falar dos seus problemas, não da minha teoria de que homens não sabem o que é bom. - sentou-se no braço do sofá.

- Tudo bem… - respirou fundo. Antes que ele pudesse falar, ela adiantou-se.

- Julie? - ele fez que sim com a cabeça - Talvez seja melhor assim. 

- Como pode ser melhor, se cada segundo longe dela me mata um pouco mais? Eu não tenho mais vinte anos. - sentou-se, cobrindo o rosto com as mãos.

- Eu não sei muito sobre isso, relacionamentos. - ajeitou a garganta - Acho que se você realmente acredita que vocês podem ficar juntos, precisa aceitar que nesse momento o destino ainda quer distância.

- Eu fui um idiota, deveria ter ficado por ela, lutado sabe? - levantou-se - Sou desastrado demais.

- É exatamente pra isso que eu estou aqui. Te ajudar a deixar de ser desastrado e esperar o destino te entregar a Julie mais uma vez.

Robert apareceu com algumas comédias românticas, pipoca e dizendo que curaria a depressão dela. Karine deixou que ele entrasse, buscou cobertores e assistiu os filmes escorada no ombro do ‘amigo’. Poucas palavras foram trocadas, e as que precisavam realmente ser ditas eram escondidas dentro do peito de cada um dos dois. Entre uma cena e outra, ele podia sentir as lágrimas dela rolando pelo seu ombro, segurando-se para não chorar junto com ela. Vez ou outra, Karine repousava a mão sobre a barriga, como quem protege o filho. Já estava com cinco meses de gravidez, e Robert continuava a dizer que estava linda. A barriga já destacava-se, podiam sentir os movimentos do bebê, e logo descobririam o sexo. Ele estava ao lado dela naquele momento e ela pensava se não seria melhor dizer toda a verdade. 

- Rob… - a voz suave dela sussurrou.

- Oi. - ele a olhou, sorrindo.

- Eu preciso te dizer uma coisa. - os olhos dela encheram-se de lágrimas, ele ajeitou-se no sofá.

- Aconteceu alguma coisa? - mexia nos cabelos dela, já sem o sorriso no rosto.

- Antes…

Karine ajeitou-se no sofá, aproximando-se do rosto dele. Os lábios se tocaram, imóveis, por alguns segundos. Robert prosseguiu o beijo suave, cheio de um carinho que apenas os dois tinham um para o outro. Ele ainda não havia contado sobre o casamento. Fora mais uma ideia estúpida, tomada enquanto a cabeça estava cheia de interrogações e ela no altar com Felipe. Desistiria daquela besteira na manhã seguinte. O beijo foi crescendo, os dois precisavam-se. Ele deitou-a com carinho na cama, tomando todos os cuidados possíveis pra que ela se sentisse confortável. Amanheceram juntos, olhando um para o outro.

- O que você queria me contar? - ele perguntou, sonolento.

- Eu… - ele a interrompeu.

- Deixa eu falar primeiro. - suspirou - Eu pedi a Patrícia em casamento. Foi uma besteira gigante, e eu vou acabar com isso assim que eu ver ela.

- Você o que? - Karine levantou-se, gritando.

- Karine, calma, eu já disse que… - ele tentou falar, ela vestiu o roupão e virou-se para ele mais uma vez.

- Por um instante, eu pensei que você tivesse mudado. Que eu não fosse mais um passatempo, mas eu continuo errada. - colocou a mão sobre a cabeça - Vai embora. Casa com ela. Seja muito feliz.

Ela abriu a porta, ele vestiu-se rápido e saiu, ela mal olhava-o nos olhos. Caminhou pela rua com aquela sensação incômoda na cabeça. Havia algo importante no que ela precisava dizer, mas agora não poderia o saber. Em casa, jogado sobre a cama, seguir em frente talvez fosse o mais racional a ser feito.

THREE MONTHS LATER…

O jantar de noivado saía conforme o planejado. Alugaram um salão na cobertura de um grande centro de eventos, todos os convidados estavam muito bem arrumados, Patrícia distribuía sorrisos. Karine, sentada na mesma mesa em que Julie estava, mal podia levantar a cabeça. A imagem de Robert, naquela noite, em sua cabeça repetia-se quase que a todo tempo. Depois do brinde, quando a noiva dirigiu-se a ela, Julie e Louise como madrinhas e grandes amigas, levantou-se e foi ao banheiro. Patrícia sentiu que havia algo errado, Robert não tirava os olhos da outra enquanto sumia pela porta.

- Aconteceu alguma coisa? É o bebê? - Patrícia entrou no banheiro, preocupada.

- Como você pode? - Karine chorava.

- O quê? - suspirou - Karine, eu não estou entendendo. - antes que pudesse terminar a frase, sentiu as mãos quentes da ‘amiga’ encontrando o seu rosto, com raiva.

- Você sabia de tudo.

- Tudo o que? Eu preciso que você se acalme e me explique. - ela disse, com a mão sobre o rosto e lágrimas surgindo nos seus olhos.

- Chega da sua falsidade. Chega.

Karine deu-lhe as costas e saiu, buscando a bolsa e pedindo que Louise a levasse para casa. Julie perguntou se estava tudo bem, mas percebeu o tamanho do problema ao ver Patrícia sair do banheiro com o rosto um tanto avermelhado. O casamento era no dia seguinte, e agora ela realmente tinha dúvidas se Karine permitiria que aquilo acontecesse.

Thiago chegou cedo para buscá-la. O casamento aconteceria pela manhã, em um dos mais bonitos parques da região. Mais uma vez, Julie participara de todo o planejamento. Desde a escolha da data até o último botão do vestido, ajudou a noiva. Quando foi convidada para ser madrinha, não teve dúvidas de quem seria seu par: o novo melhor amigo, que esteve presente nos meses mais conturbados de sua vida e a motivara a procurar por Rafael assim que a cerimônia acabasse.

- Adorei o vestido das madrinhas. - ele sorriu, com os braços cruzados escorado na porta.

- Muito obrigada. - ela retribuiu o sorriso - Então, eu estou bem? - abriu os braços e deu uma voltinha, fazendo-o segurar o riso.

- Linda, agora vamos, antes que a carruagem vire abóbora.- ele olhou no relógio e estendeu o braço para ela.

Os dois saíram, sorrindo pelas estradas enquanto a cidade estava pacata. Todos estavam interessados no casamento, mais uma vez. E amigo de famoso vira famoso também, como perceberam ao ser parados por fotógrafos nos portões do parque. Riram. Aquele casamento precisava, sim, dar certo, ou as coisas não ficariam tão boas nos bastidores de Hollywood.

Patrícia passara a noite em claro. Pensava que, talvez, aquele casamento não fosse uma boa escolha. De frente para o espelho, o vestido era tão simples como ela. Os cabelos naturalmente caídos nas costas, os sapatos brancos como de praxe. Ouviu a voz. Fechou os olhos, e virou-se de cara fechada.

- Eu precisava me desculpar. - Karine disse - Mas acima de tudo isso, estou aqui pra te pedir uma coisa.

- Você tem cinco minutos. - Patrícia olhou para o relógio, ainda séria.

- Eu não posso deixar você se casar com o Robert.

- Por que você ama ele? - ela riu.

- Por que você ama o Matheus, e nós duas, o Robert, o Matheus e o resto do mundo sabe disso. - suspirou - Está escrito nas suas pálpebras.

- Isso não importa.

- Claro que importa, sabe por quê? - Karine alterou a voz - Porque cada vez que você acordar e ver o Robert, vai se perguntar porque deixou isso acontecer. Cada vez que olhar pra aliança no seu dedo, vai pensar no porque de não ter esperado um pouquinho mais.

- Até onde você quer chegar? - a noiva gritou.

- Quando perguntarem se alguém pode impedir esse casamento, o Matheus vai levantar e dizer que ama você. E eu vou me levantar pra dizer que esse filho é do Robert, e que você sabia disso.

- O que você disse, Karine?

Robert entrou na sala. As duas estavam sérias agora. O temporal armou-se mais uma vez.

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CHAPTER XVII - I Won’t Give Up

Eles dormiram juntos, mais uma noite. Louise não conseguia conter a felicidade quando acordou, encontrando Daniel deitado ao seu lado, dormindo com a mesma tranquilidade de anos atrás. Ficou ali, admirando o rosto dele, o jeito que os olhos combinavam com cada traço, a cicatriz pequena que ele tinha no cantinho da sobrancelha direita, os cabelos moldando o contorno do rosto e aquela expressão de uma noite feliz. Se pudesse, ela entraria na mente dele para saber qual seria o sonho em que estava. Lentamente, pode vê-lo abrir os olhos e sorrir para ela.

- Bom dia, Lou. - falou, arrastado.

- Você parece uma visão dos céus acordando assim, manhoso. - ela riu.

- Fazia tempo que eu não dormia tão bem acompanhado. - beijou a testa dela, puxando o celular da mesa de cabeceira e olhando a hora.

- Tem algum compromisso? - Louise sentou-se, fazendo bico.

- Tenho. - suspirou - Vou almoçar com você hoje. - beijou a testa dela, levantando.

- Dan… - ela ajoelhou-se na cama, ele voltou-se para ela.

- O que, amor? - ajeitou uma mecha de cabelo dela atrás da orelha.

- Você sabe que eu não vou desistir da gente, não é? - os olhos dele brilharam.

Nenhuma palavra precisava ser dita naquele momento. Ele a beijou, com carinho, sentindo quando as mãos dela tomaram sua nuca, abraçando-a na cintura, imaginando o quanto era sortudo por ter alguém como ela em sua vida. Tudo o que poderia acontecer naquele segundo foi ignorado. O mundo girava ao redor deles.

Depois do que havia acontecido no casamento, claro que Julie ficou nervosa demais. Em casa, a noite, começou a passar mal. Sabia que não poderia ligar para Karine, Matheus estava com o telefone desligado, Rafael deveria estar voltando para o outro lado do mundo, Louise e Daniel estavam juntos, assim como Patrícia e Robert. Pegou o telefone e corajosamente discou o número conhecido e decorado. Thiago passou a noite cuidando dela, com febre e um mal estar que não passava. Amanheceu, ela estava sozinha no quarto. Desceu as escadas e encontrou-o brincando no mapa onde ela marcava todos os lugares que gostaria de conhecer - ou seja, os lugares onde Rafael já havia estado.

- Olha só quem acordou. - ele sorriu para ela.

- Desculpa por ter ligado tão tarde. - encolheu os ombros.

- Amigos são pra essas coisas, Julie. - os dois foram até a cozinha, ele havia preparado uma mesa de café da manhã para ela.

- Você não existe. - os dois riram.

- Mas então, conseguiu falar com a Karine depois do ‘casamento furado’? - ele fez aspas com as mãos.

- Não. Ela sumiu, deve ter ido pra casa comemorar. - balançava a cabeça, rindo da loucura da amiga.

- Eles são o comentário do dia, o noivo hesitante e a noiva em fuga. - disse, bebendo um pouco do suco de laranja.

- Eles fizeram o que o coração deles mandou, deve haver alguma razão nisso. - escorou a cabeça nos punhos.

- Rafael ligou. - ele sorriu - Como vocês estão?

- O quê? - Julie engasgou - Olha, não precisa falar dele se não quiser.

- Eu quero falar sobre ele, eu sou seu amigo e exijo que você me conte da sua vida. - estava sendo sincero, Julie podia sentir.

- Bom, ele se mudou mais uma vez. - mordeu os lábios, suspirando em seguida.

- Percebi, você marcou China no mapa. - ele largou tudo o que tinha nas mãos, segurando os dedos dela - Eu acredito que, se você realmente ama ele, e eu sei que sim, não pode desistir.

- Ele sempre vai embora, e eu preciso de alguém que fique. - tossiu, ajeitando os cabelos.

- Você só precisa dele. E de um pouquinho de paciência.

Ela estava esperando que Robert chegasse, precisavam começar as gravações o mais breve possível. Talvez tivesse saído cedo demais de casa, estava só no estúdio. Até o momento em que uma voz, conhecida e amada, soou atrás dela. Não era Robert. Virou-se, com as pernas tremendo e uma vontade imensa de correr até ele e abraçá-lo.

- Não sabia que estava no filme. - virou o rosto.

- Eu estou aqui porque… - respirou - Precisava ver você.

- Eu vou me casar. - disse, séria - Não quero ver você, falar com você, sentir isso que eu sinto por você.

- Casar com o Robert? - riu, andando até ela - Ele não ama você.

- Quem é você pra dizer isso?

- Alguém que quer ver você bem, e feliz. - segurava as mãos dela.

- Vai embora. - ela tentava, em vão, desviar o olhar dele.

- Não desiste de mim ainda, por favor. - colocou, levemente, a mão direita abaixo do queixo dela.

Patrícia correu até um dos camarins, fechando a porta. Matheus manteve-se ali, parado, olhando para o lugar onde ela estava antes. Sussurrava alguma coisa que não se podia entender. Nenhuma ação, palavra ou sentimento seria o suficiente para o coração dela, machucado por tantos anos. Deixou o estúdio pensando em milhões de coisas para fazer, ocupar a mente. Na verdade, queria que ela lhe ocupasse a mente.

Karine não conseguia dormir ou comer. Helena concordou em levá-la ao teatro, para que ela ensaiasse algumas músicas da próxima peça que faria. Enquanto a filha cantava um clássico, percebeu que alguém entrou no grande auditório. Ele sentou-se no outro lado, algumas filas a frente. Não desviava o olhar da moça em nenhum segundo. Quando ela percebeu a presença dele, imediatamente parou de cantar e desceu, abraçando-o. Helena notou o diálogo, e logo em seguida reconheceu Robert. Ele despediu-se das duas.

- Você está mais feliz agora. - a mãe sorriu para ela.

- Ele é meu melhor amigo. - Karine retribuiu o sorriso.

- Eu sei disso. - suspirou - E sei também que ele ama você desde que eram crianças.

- Adolescentes, mãe. - virou os olhos.

- Crianças, mal sabiam andar sem ajuda. - balançou a cabeça, irônica.

- Eu também amava ele.

- Ainda ama. - Helena cruzou os braços - E se ele realmente faz você feliz, não deveria desistir.

- Eu não vou, mãe.

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CHAPTER XVI - Just a Kiss


Quase não podiam acreditar. Todos estavam nervosos com o dia seguinte. Na véspera, após atender vários telefonemas da imprensa pedindo mais informações sobre o casamento da jornalista/atriz com um dos mais renomados produtores, Julie mantinha seu pensamento no que realmente aconteceria na cerimônia. Claro, Karine havia contado para ela. Pediu segredo, implorou pra que ficasse entre elas, e mesmo com todo o apelo para que Felipe soubesse, preferiu manter-se quieta. Sabia que não era o correto, porém não havia escolha. Por todas as partes, fãs ansiavam pela noite daquele dia doze. O casamento dos sonhos chegara, e agora armava-se como um pesadelo.

Ela ouviu a campainha tocar e correu pela escadaria para abrir a porta. Os olhares se cruzaram e um sorriso imediato foi inevitável. Louise abraçou Daniel pelo pescoço e fechou os olhos, aconchegando-se nos abraço dele. Ele avisara na semana anterior que estaria ali para o casamento, que iria ao altar com ela, como havia sido combinado. E claro, precisava de um lugar para se hospedar. E claro, estava com saudade dela. Os dois entraram na casa, sentaram no sofá, conversaram sobre a nova vida dele em Londres, sobre a desorganização de Matheus, sobre como era bom que não tenha sobrado algum ressentimento. Num ímpeto, em um daqueles momentos cruciais em que o silêncio fala mais do que qualquer palavra, olhar ou respiração ofegante, eles se beijaram.

- Senti sua falta aqui. - ela disse, afastando-se apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos.

- Eu também sinto falta daqui, mas… - suspirou, ajeitando-se no sofá - Não dá, Lou. Eu tenho medo de te machucar ou de me machucar mais. Foram…

- Coisas demais para um ano só. - ela completou a frase dele, e sorriu.

- Acho que nunca estivemos prontos pra um casamento.

- Quem sabe um namoro a distância? - Louise segurou a mão dele, eles riram.

- Faz algum tempo que saímos da adolescência. - ele mexeu no cabelo - Pode ser uma boa ideia.

- Claro. - ela puxou-o para si.

Eles subiram as escadas, entraram no quarto que antes era dos dois. Daniel olhou ao redor, avistando as fotos dos dois, os milhares de ursos que ela guardava da época de namoro deles. Louise sentou-se na cama e o encarava, enquanto os olhos dele brilhavam com tantas boas lembranças. Passariam aquela noite juntos, rindo e pensando no porquê de o destino ter achado melhor assim.

Mesmo com toda a mágoa, ela sabia que precisava ser racional. Ainda que separados, Rafael se fazia presente em emails, ligações na madrugada, mensagens de texto. Tudo o que ele fazia pensando nela, era avisado. Julie tentava não se castigar, tentava acreditar que era culpa do destino. Mas quando ele entrou na casa dela, com as chaves que ela lhe dera, o cabelo desajeitado e os olhos úmidos,  eles correram um para o outro. Ela fechou os olhos e prometeu que não iria chorar. Ele sorria.

- O que você faz aqui? - perguntou, sem sair do abraço.

- Eu tinha a chave, queria ver você, precisava de uma companhia pra jantar comigo. - ele sussurrou.

- Isso é um convite? - ela afastou-se, sem tirar as mãos dele.

- Uma convocação. - riram.

Julie buscou um casaco qualquer, pegou a bolsa e deu a mão para ele. Foram ao restaurante favorito dela, um italiano quase no outro lado da cidade. Rafael contou sobre todos os projetos, mas evitaram citar o fato de que ficariam mais alguns meses longe. A noite era dos dois. E agora sim havia um bom motivo para que o casamento acontecesse.

A casa de Karine estava lotada de familiares. Aquela hora, quase todos já haviam ido dormir, deixando que apenas ela e a mãe continuassem na sala. A noiva estava estranha, o que fez com que trocassem algumas poucas palavras, até que o pai dela aparecesse na porta. Karine correu ao encontro de Richard, abraçando-o. Helena encolheu os ombros ao receber o olhar do marido e deixou que os dois ficassem sozinhos. Ele levou a filha até o sofá e segurou a mão dela.

- Eu sei que eu nunca fui o pai mais comunicativo do mundo, mas eu sei quando a minha princesa não está bem. - ele disse, fazendo-a sorrir e chorar ao mesmo tempo.

- É só que… - suspirou - Acho que fiquei nervosa. Talvez seja o bebê.

- Você não está feliz, e faz algum tempo, Karine. - ele ajeitou o cabelo dela - Pode me contar.

- Eu nunca pensei em me casar assim.

- Grávida? - antes que ela pudesse responder, ele continuou - Ou com alguém que não ama?

- Eu amo o Felipe, pai. - tossiu, desviando o olhar.

- Pode mentir pra qualquer pessoa, menos pra você mesma. Há anos o seu coração não é mais dele.

- Pai, eu só estou nervosa. - ela tentou levantar-se, ele a segurou.

- Você é incrível. Tem um sorriso maravilhoso, construiu uma carreira incrível, e ainda tem muito pela frente, querida. - ela não podia mais conter as lágrimas - E eu sei que se você quiser, pode criar esse bebê sem estar casada com o Felipe. Você é forte, é grandiosa, exatamente como a sua mãe.

- Realmente me acha parecida com ela? - a mãe de Karine sempre fora o maior exemplo que ela teve, e ser comparada com ela era uma grande coisa.

- Talvez tenha um pouco de mim também, mas o mais importante é que eu vou apoiar você independente do que você escolher. - ele a abraçou - É a sua vida, meu anjo, e você não vai viver pra sempre.

Amanheceu, e todas as correrias começaram. Louise buscou o vestido na casa de Karine e encontrou Patrícia no caminho. Combinaram de almoçar juntas, fazia algum tempo que não conversavam, e aparentemente tinham novidades para contar. Almoçaram na casa de Patrícia, falaram sobre o casamento e a gravidez de Karine antes que Louise pudesse contar do relacionamento com Daniel. Depois do almoço, sentaram-se no sofá e Patrícia hesitou ao contar o que havia acontecido na noite anterior.

- Vadia louca! - Louise praticamente gritou - Vocês não estão juntos nem há um ano ainda.

- Eu sei disso, e eu sei que é loucura, mas o que eu poderia fazer? Depois de um pedido daqueles, dizer não poderia ser falta de educação. - Patrícia suspirou.

- E o pior de tudo isso é que nós duas sabemos que vocês não se amam.

- O quê? - ela levantou-se, encarando a amiga.

- Você tem, escrito na sua testa, que ainda ama o Matheus. E ele, bom, vai perder o amor da vida dele hoje a noite.

- Acha mesmo que ele ama a Karine? - ela riu.

- Por favor, Patrícia, olha o jeito que ele fica cada vez que os dois se veem. - a outra sentou-se novamente.

- Eu sei que nunca vou conseguir uma vida estável com o Matheus. Esperei tempo demais por ele, o Robert é a minha última chance de ser feliz.

- Talvez você esteja certa. - as duas se olharam - Nem sempre o amor da nossa vida é a pessoa certa pra nós.

Julie concordou em passar o dia no spa com a amiga. O problema eram os enjoos de Karine, as olheiras infinitas que ostentava e seu desespero aparente conforme o relógio se movia. Tudo estava errado. Todo aquele trabalho, aquela vida falsa que construíra ao redor de Felipe era uma loucura. Não o amava. Aliás, sabia disso desde que terminaram a primeira vez. Podia ser uma paixão, mas não servia como amor. Ainda assim, aquele bebê precisava de um pai, e quem seria melhor pai que Felipe? Agora, estavam no quarto do Plaza em que Karine ficaria até o momento exato da cerimônia. Ela pediu que todas saíssem.

- Eu não vou deixar você sozinha, nem pensar. - Julie aproximou-se da amiga.

- Eu preciso de um tempo só pra mim. - ela segurou as mãos da outra.

- Você precisa de alguém que não te deixe fazer besteira. - riu.

- Por favor, Ju. - olhou nos olhos da amiga, que estava séria mais uma vez, com a mesma cara de preocupada de seis anos atrás. - Prometo que, dessa vez, não vou fazer cena.

- Tudo bem. - olhou o relógio - Volto pra te buscar em quinze minutos, assim que o sol se pôr.

Ela saiu, Karine andou até a grande janela e encarou o dia lindo que fizera. Provavelmente, a noite seria tão bela quanto. Perguntava-se o que havia acontecido com aquela Karine idiota, sem medo de nada, que podia quebrar quantas regras quisesse. Aquela vida acabara. Felipe talvez tivesse uma parcela de culpa. A maior culpada fora ela. Sentou-se na cama, alisando o vestido escolhido a dedo por um dos maiores estilistas do país. Mirou seu reflexo no espelho e acariciou a barriga por cima da roupa. Andou até ele e ouviu a porta se abrir.

- ‘Hoje muitos corações serão quebrados’ - Matheus brincou, fazendo voz de locutor e fechando a porta.

- O que você está fazendo aqui? - ela foi até ele, abraçando-o.

- Recebi o convite. - riu, sentando-se na cama e levando-a com ele.

- Não, o que você faz aqui no quarto, me vendo antes da cerimônia. - ela riu, bagunçando o cabelo dele.

- Eu precisava te pedir pra desistir dessa loucura. - os dois ficaram sérios.

- O quê? - ela voltou a rir - Sua habilidade pra me fazer rir melhorou muito, Matheus.

- Karine, é sério. - ela levantou-se e foi até o espelho mais uma vez, ajeitando os brincos - Eu conheço você bem demais, sei que não quer fazer isso. E sei de outra coisa também.

- A Julie contou? - virou-se, nervosa.

- Sim, depois de muita pressão. - agora, ela andava feito doida pelo quarto, enquanto ele tentava acompanhá-la - O Robert está lá no salão, sabia? Quer que eu chame ele aqui?

- Matheus, ninguém pode saber disso! - ela gritou.

- Sinto muito, você já sabe. - ele arqueou a sobrancelha direita, como de costume - Já pensou no que você vai dizer quando o Felipe quiser ter mais um filho? ‘Óh querido, desculpe, mas você tem um limite de apenas um filho durante toda a vida!’. - ele afinou a voz ao imitá-la.

- Isso é sobre a minha vida, e eu posso inventar uma desculpa melhor que essa.

- Karine, você sabe que o Robert pode não ser o melhor cara do mundo, talvez ele te magoe algumas vezes, mas ele também ama você. Muito mais do que o Felipe, o Brian, e até mesmo mais do que eu já amei.

- Pode sair daqui? Eu só tenho mais alguns minutos, e quero ficar sozinha. - ela baixou os olhos, evitando qualquer contato com ele

Faltava pouco para que a cerimônia começasse e Felipe estava diante do espelho, completamente mudo. Tentava entender o porquê de ter escolhido pedir Karine em casamento tão rápido. Não poderia desistir, tinha uma responsabilidade maior agora. Um reflexo formou-se atrás dele. A pergunta em sua mente mudou: por que diabos convidara Vitória para a cerimônia? Virou-se para ela e puxou um banco para escorar-se, suspirando.

- Alguém não está feliz. - ela sorriu.

- Eu estou feliz. Vou me casar com a única mulher que realmente amei em toda a minha vida. - ele ergueu as sobrancelhas.

- Claro, amou tanto. - ela começou a ajeitar o terno dele - Nós dois sabemos o quanto você se importa comigo, Felipe, é só assumir.

- Eu vou ser pai. - ele fugiu do alcance dela.

- E só por causa disso precisa se casar com ela? - ela o seguiu - O que você sentia por ela acabou há seis anos, você sabe muito bem disso. E quando acaba, não é amor.

- Por acaso, você quer me dizer que me ama? - ele riu, irônico. Ela o beijou.

- O que você sentiu agora, comigo, não vai sentir toda noite quando beijar a Karine. - ela afastou-se, andando em direção a porta.

- Vitória, espera. - ela parou - Só mais um beijo.

Os dois se beijaram mais uma vez. Por mais que, no início, fosse apenas um meio de irritar Karine, agora ela sabia que realmente sentia alguma coisa por ele. E o sentimento era recíproco. Errado, torto, machucando muitas outras pessoas ao redor deles, mas era real. Ela partiu em direção ao salão um pouco antes que Rafael o chamasse para a entrada. Com milhões de coisas passando por sua mente, Felipe estava no lugar exato em que receberia a mãe do seu filho, a sua esposa.

A barriga ainda discreta de Karine marcava pouco o vestido. A cerimônia começou, a entrada tradicional com a marcha nupcial, todos encantados com a beleza da noiva. Ela forçava um sorriso, ele forçava ainda mais. Na mente deles, sabiam que não deveria ser daquele jeito. Depois de todos os acontecimentos comuns de um casamento, os dois se olhavam sérios. Os olhos dos dois não pareciam nada tranquilos. Então, veio a pergunta.

- Felipe Dixon, você aceita Karine Nolan como sua legítima esposa, e promete amá-la, respeitá-la, e estar ao lado dela em todos os momentos, durante o resto de sua vida?

O olhar dela implorava por uma única resposta. Ele conseguiu ler o que se passava com ela naquele momento, ela entendeu que ele sentia o mesmo. Os dois encaravam os convidados por alguns segundos, o pai de Karine apertou a mão de mãe dela, Julie e Matheus se olhavam, a tensão tomou conta do salão.

- Não.

Todos começaram a se olhar, sem entender o que acontecia. Karine sorriu, abraçou o noivo e tirou os sapatos, correndo para a porta. Julie e Louise foram atrás dela, enquanto poucos conseguiam saber o porquê de tal situação. Matheus sorriu. Robert sorriu. 

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CHAPTER XV - Insane
Como o combinado, exatamente às nove da noite, Karine, Julie e Louise estavam reunidas na porta da casa de Julie, abraçando-se quase sem conter as lágrimas. As três estavam muito diferentes. Naqueles poucos meses, passaram por tantas coisas. Precisavam daquela noite juntas pra colocar os assuntos em dia e as cabeças em ordem. Sentaram-se na sala de estar, devidamente preparada com colchões, almofadas, cobertores e cheia de coisas doces.
- Pensei que eu fosse me atrasar. - Karine disse, enquanto pegava uma colher de brigadeiro - Não aguento mais esses preparativos para o casamento.
- Falando em casamento, você e ele já foram fazer os exames pré-nupciais? - Julie riu. Os pais de Karine exigiram que eles o fizessem.
- Foi justamente por isso que quase me atrasei. - ela virou os olhos - Tomara que esse mês passe depressa o suficiente. - as três riram.
- E quando vamos provar nossos vestidos? - Louise perguntou, empolgada.
- Semana que vem, quando eu for provar o meu. Digamos que acho que a barriga cresceu. - ela fez careta.
- Maravilha. O problema é… - Louise suspirou - Eu não sei se Daniel vai ser meu par.
- Como assim? - as outras duas disseram, em coro.
- Ele anda estranho. - ela pegou uma lata de energético - Eu nunca pensei que fosse durar pra sempre, dar certo. Vocês sabem, ele é inconstante.
- Mas a ponto de separação? - Julie perguntou, nervosa.
- Irônico, né? - os olhos dela encheram-se de lágrimas - Todo esse tempo se passando, a vida de vocês duas quase certa e a minha desmoronando. E na verdade, eu acho que era isso mesmo que precisava acontecer.
- Não, Lou. Vocês dois sempre foram o mais firme dos casais. - Karine estava sentimental, graças ao bebê.
- Eu o amo o suficiente pra entender se ele quiser partir.

Louise foi a primeira a acordar, preparou o café e conversou um pouco mais com as amigas. Agora, estava abrindo a grande porta de acesso a casa onde morava com o marido. Daniel deveria estar dormindo, mas ela pode ouvir a agitação no andar de cima. Subiu a escadaria e encontrou-o com duas grandes malas cheias de roupas.
- O que está acontecendo? - o olhar de choque dela denunciava que, mesmo esperando que acontecesse, ainda havia certa esperança.
- Eu não posso continuar aqui, Lou. - ele virou-se para ela, puxando-a pela mão - Não é que eu não ame você. - eles choravam - Eu simplesmente não consigo olhar pra essa casa, esse lugar, sem lembrar de tudo o que aconteceu.
- Dan, eu realmente… - ela enxugou as lágrimas que rolavam pela face dele - Eu vou esperar você voltar. Mesmo que isso leve um milhão de anos.
- Não, por favor. - ele levantou-se - Eu vou pra Londres, encontrar o Matheus e construir uma vida lá. - ela estava estática enquanto ele falava - Preciso que você siga em frente.
- Isso é um divórcio? - Louise perguntou, quase sem piscar. 
Daniel fez que sim com a cabeça. Ela continuou ali, parada. Ele saiu da casa, pela porta dos fundos, e sentou-se próximo ao muro. Por mais que aquela decisão machucasse, não só a ela, mas a ele também, parecia a coisa mais correta a se fazer. Foram anos em que ele sentira-se preso a essa responsabilidade com ela, e Louise também perdera momentos preciosos por causa dele. Não podia continuar desse jeito. Viajaria na manhã seguinte.

Ele havia pedido que ela se encontrasse com ele naquela noite. Na anterior, enquanto ela estava com as meninas, ele planejara o melhor jeito de dizer aquilo para ela. Sabia que a reação não seria das melhores. Na verdade, eles esperaram tanto tempo pelo que estavam vivendo. E agora, simplesmente… Enfim. Desceram do carro na mesma praça onde ela dissera que ele a tinha, há quase um ano atrás.
- Estamos aqui. - ela sorriu, os olhos brilhavam sob o luar.
- Antes que eu fale qualquer coisa, eu preciso que você saiba uma coisa. - Rafael suspirou - Eu nunca imaginei que sentiria alguma coisa tão forte por você, quanto o que eu sinto agora.
- Eu estou ficando envergonhada. - Julie corava, rindo.
- Eu não tinha planejado nada disso. Quando eu voltei, eu pensei que a minha vida seria o aqui, o agora, e então o destino me devolveu você. - ele sorria.
- Rafael, eu… - ele a interrompeu, colocando o dedo sobre os lábios dela.
- Julie, eu preciso que você me perdoe e me entenda. - sentou-se no banco, molhado pelo sereno típico da noite - Um dos meus sócios pediu que eu ajudasse a abrir outra filial, e eu não pude recusar. - as mãos dela estavam trêmulas quando sentou-se ao lado dele.
- Você está me dizendo que? - ela perguntou, nervosa.
- Eu vou precisar me mudar. - ele não conseguia olhar para os olhos dela - Talvez por seis meses, um ano, não sei dizer.
Ela começou a chorar baixinho. Dentro do peito dela, uma explosão de sentimentos. Tudo o que havia esperado, durante anos, desabava com mais uma partida dele. Aquilo era tão comum, mas dessa vez doía mais. Não sabia explicar o tamanho do que tomava seus pensamentos. Levantou-se, já sem controlar o choro. Ele foi atrás dela, que virou-se.
- Por que você sempre faz isso? - estava enfurecida - Cada vez que eu entrego uma parte de mim pra você, de uma hora pra outra, aparece alguma coisa que te leva pra longe de mim.
- Eu pensei que… Talvez a gente pudesse tentar… - ele tentou falar, ela gritou.
- Rafael, foram seis anos te esperando, pensando que poderíamos tentar um relacionamento a distância. Então você volta, destrói o que eu consegui construir sem você e vai embora mais uma vez? - ela tremia, ele estava sem o que dizer.
- Eu preciso de você, Julie. - ele tentou aproximar-se dela.
- Quem precisa, fica. - enxugou as lágrimas - E você só saber partir.

Karine foi cedo, e sozinha, ao médico para ver os resultados dos exames. O médico explicava cada detalhe dos resultados dela, enquanto esperavam que Felipe chegasse. Alguns minutos depois, uma sms avisava que ele estava preso no estúdio, mais uma vez. Pediu ao médico que abrisse os resultados dele e explicasse para ela, depois falaria com o noivo.
- Está tudo normal com ele, exceto… - ele fez uma cara de espanto.
- O que aconteceu?
- Karine, você está gravida, certo? - arqueou a sobrancelha.
- Conforme os exames. - ela sorriu.
- E dormiu com outra pessoa há dois meses atrás, além do seu noivo? - perguntou, ainda examinando a folha.
- Por que essa pergunta? Isso envolve minha vida pessoal. - ela corou, desviando o olhar.
- O Felipe não pode ser o pai do seu filho. Ele é estéril.

CHAPTER XV - Insane

Como o combinado, exatamente às nove da noite, Karine, Julie e Louise estavam reunidas na porta da casa de Julie, abraçando-se quase sem conter as lágrimas. As três estavam muito diferentes. Naqueles poucos meses, passaram por tantas coisas. Precisavam daquela noite juntas pra colocar os assuntos em dia e as cabeças em ordem. Sentaram-se na sala de estar, devidamente preparada com colchões, almofadas, cobertores e cheia de coisas doces.

- Pensei que eu fosse me atrasar. - Karine disse, enquanto pegava uma colher de brigadeiro - Não aguento mais esses preparativos para o casamento.

- Falando em casamento, você e ele já foram fazer os exames pré-nupciais? - Julie riu. Os pais de Karine exigiram que eles o fizessem.

- Foi justamente por isso que quase me atrasei. - ela virou os olhos - Tomara que esse mês passe depressa o suficiente. - as três riram.

- E quando vamos provar nossos vestidos? - Louise perguntou, empolgada.

- Semana que vem, quando eu for provar o meu. Digamos que acho que a barriga cresceu. - ela fez careta.

- Maravilha. O problema é… - Louise suspirou - Eu não sei se Daniel vai ser meu par.

- Como assim? - as outras duas disseram, em coro.

- Ele anda estranho. - ela pegou uma lata de energético - Eu nunca pensei que fosse durar pra sempre, dar certo. Vocês sabem, ele é inconstante.

- Mas a ponto de separação? - Julie perguntou, nervosa.

- Irônico, né? - os olhos dela encheram-se de lágrimas - Todo esse tempo se passando, a vida de vocês duas quase certa e a minha desmoronando. E na verdade, eu acho que era isso mesmo que precisava acontecer.

- Não, Lou. Vocês dois sempre foram o mais firme dos casais. - Karine estava sentimental, graças ao bebê.

- Eu o amo o suficiente pra entender se ele quiser partir.

Louise foi a primeira a acordar, preparou o café e conversou um pouco mais com as amigas. Agora, estava abrindo a grande porta de acesso a casa onde morava com o marido. Daniel deveria estar dormindo, mas ela pode ouvir a agitação no andar de cima. Subiu a escadaria e encontrou-o com duas grandes malas cheias de roupas.

- O que está acontecendo? - o olhar de choque dela denunciava que, mesmo esperando que acontecesse, ainda havia certa esperança.

- Eu não posso continuar aqui, Lou. - ele virou-se para ela, puxando-a pela mão - Não é que eu não ame você. - eles choravam - Eu simplesmente não consigo olhar pra essa casa, esse lugar, sem lembrar de tudo o que aconteceu.

- Dan, eu realmente… - ela enxugou as lágrimas que rolavam pela face dele - Eu vou esperar você voltar. Mesmo que isso leve um milhão de anos.

- Não, por favor. - ele levantou-se - Eu vou pra Londres, encontrar o Matheus e construir uma vida lá. - ela estava estática enquanto ele falava - Preciso que você siga em frente.

- Isso é um divórcio? - Louise perguntou, quase sem piscar. 

Daniel fez que sim com a cabeça. Ela continuou ali, parada. Ele saiu da casa, pela porta dos fundos, e sentou-se próximo ao muro. Por mais que aquela decisão machucasse, não só a ela, mas a ele também, parecia a coisa mais correta a se fazer. Foram anos em que ele sentira-se preso a essa responsabilidade com ela, e Louise também perdera momentos preciosos por causa dele. Não podia continuar desse jeito. Viajaria na manhã seguinte.

Ele havia pedido que ela se encontrasse com ele naquela noite. Na anterior, enquanto ela estava com as meninas, ele planejara o melhor jeito de dizer aquilo para ela. Sabia que a reação não seria das melhores. Na verdade, eles esperaram tanto tempo pelo que estavam vivendo. E agora, simplesmente… Enfim. Desceram do carro na mesma praça onde ela dissera que ele a tinha, há quase um ano atrás.

- Estamos aqui. - ela sorriu, os olhos brilhavam sob o luar.

- Antes que eu fale qualquer coisa, eu preciso que você saiba uma coisa. - Rafael suspirou - Eu nunca imaginei que sentiria alguma coisa tão forte por você, quanto o que eu sinto agora.

- Eu estou ficando envergonhada. - Julie corava, rindo.

- Eu não tinha planejado nada disso. Quando eu voltei, eu pensei que a minha vida seria o aqui, o agora, e então o destino me devolveu você. - ele sorria.

- Rafael, eu… - ele a interrompeu, colocando o dedo sobre os lábios dela.

- Julie, eu preciso que você me perdoe e me entenda. - sentou-se no banco, molhado pelo sereno típico da noite - Um dos meus sócios pediu que eu ajudasse a abrir outra filial, e eu não pude recusar. - as mãos dela estavam trêmulas quando sentou-se ao lado dele.

- Você está me dizendo que? - ela perguntou, nervosa.

- Eu vou precisar me mudar. - ele não conseguia olhar para os olhos dela - Talvez por seis meses, um ano, não sei dizer.

Ela começou a chorar baixinho. Dentro do peito dela, uma explosão de sentimentos. Tudo o que havia esperado, durante anos, desabava com mais uma partida dele. Aquilo era tão comum, mas dessa vez doía mais. Não sabia explicar o tamanho do que tomava seus pensamentos. Levantou-se, já sem controlar o choro. Ele foi atrás dela, que virou-se.

- Por que você sempre faz isso? - estava enfurecida - Cada vez que eu entrego uma parte de mim pra você, de uma hora pra outra, aparece alguma coisa que te leva pra longe de mim.

- Eu pensei que… Talvez a gente pudesse tentar… - ele tentou falar, ela gritou.

- Rafael, foram seis anos te esperando, pensando que poderíamos tentar um relacionamento a distância. Então você volta, destrói o que eu consegui construir sem você e vai embora mais uma vez? - ela tremia, ele estava sem o que dizer.

- Eu preciso de você, Julie. - ele tentou aproximar-se dela.

- Quem precisa, fica. - enxugou as lágrimas - E você só saber partir.

Karine foi cedo, e sozinha, ao médico para ver os resultados dos exames. O médico explicava cada detalhe dos resultados dela, enquanto esperavam que Felipe chegasse. Alguns minutos depois, uma sms avisava que ele estava preso no estúdio, mais uma vez. Pediu ao médico que abrisse os resultados dele e explicasse para ela, depois falaria com o noivo.

- Está tudo normal com ele, exceto… - ele fez uma cara de espanto.

- O que aconteceu?

- Karine, você está gravida, certo? - arqueou a sobrancelha.

- Conforme os exames. - ela sorriu.

- E dormiu com outra pessoa há dois meses atrás, além do seu noivo? - perguntou, ainda examinando a folha.

- Por que essa pergunta? Isso envolve minha vida pessoal. - ela corou, desviando o olhar.

- O Felipe não pode ser o pai do seu filho. Ele é estéril.


CHAPTER XIV - Eyes

Karine sentou-se no gramado do Central Park e começou a rabiscar algumas coisas na folha de papel. Seus pais chegariam em algumas horas, e ela mal pensara em alguma coisa para o casamento. Julie estava ocupada, organizando os documentos necessários para que a cerimônia acontecesse. Louise não estava em uma fase muito boa para se pedir esse tipo de ajuda e Patrícia estava… Sumida. Mais cedo, Felipe ligara avisando que precisaria ir ao estúdio para coordenar a gravação de uma cena extra, e ali estava ela, sozinha, precisando escolher entre dois tons de branco diferentes. Aliás, tudo parecia branco pra ela.
- Precisa de ajuda? - alguém sentou ao lado dela. Era Rafael.
- Você deveria estar trabalhando ou pegando no pé da Ju. - ela riu.
- Bem, um passarinho verde me disse que você ia estar confusa entre o gelo ou branco tradicional. - ele puxou a palheta de cores da mão dela.
- Detesto escolher cor. - coçou a cabeça - Acho que prefiro casar de preto.
- Claro, Karine - ria - Acho que a cor champagne combina mais com você. - apontou, mostrando para ela.
- É ótima. - suspirou - Eu não sei se estou pronta pra isso.
- Casamento?
- Casamento, um filho, passar o resto da minha vida com alguém que eu sei que não me ama de verdade. - ela ergueu a sobrancelha.
- Vamos conversar sobre isso tomando um café? - ele levantou-se, puxando-a - Uma boa mãe nunca deixa o filho passar fome.
Depois de longas horas de conversa, Rafael conseguiu fazer com que ela melhorasse o humor. Definiram algumas coisas do casamento, o gosto dele era bem parecido com o de Julie. O casamento aconteceria no The Plaza Hotel, seguindo todo o tradicionalismo. A decoração, em champagne e branco puro, acompanhariam o tom do vestido dela. Velas seriam espalhadas por todo salão de eventos, e uma tenda com flores seria montada a espera dos noivos. Karine começara a ficar feliz.

Mas era claro que ia acabar acontecendo. Ele estava deitado, na cama dela, beijando ela. Patrícia disse que estava carente, ele estava carente, ela havia perdido os quilos da adolescência, ele havia crescido um pouco, e pronto. Mesmo que ela fosse, agora, a ex do seu amigo, isso pouco importava. Matheus estava agarrando garotas em Londres e ele estava suprindo a necessidade da outra.
- Espera. - ela o empurrou - Vamos conversar. - sentou-se na cama.
- Ótimo momento pra conversar. Quer falar sobre o que? Gnomos? - ironizou.
- Quero saber como terminou seu rolo com a Vitória. - suspirou - E com a Karine.
- Nunca tive nada sério com a Vitória, e a Karine vai mesmo casar com o Felipe. - ele riu - Já conversamos?
Ela sorriu e pulou de volta para cima dele. Que aquilo não era certo com os sentimentos dela, sabia. Que aquilo não era certo, por causa da amizade entre Robert e Matheus, sabia também. Mas queria viver. Queria aproveitar aquilo que recebeu da vida.

Louise se tornara fria. Tentar aproximar-se do marido não estava dando certo, e passar boa parte do dia sozinha foi tornando-se comum para ela. Por isso o susto quando Julie desceu do carro e andou em direção a ela, que cuidava do jardim. Provavelmente, a notícia de que ela e Daniel poderiam estar se separando chegara aos amigos. Levantou-se e cruzou os braços.
- Veio perguntar alguma coisa? - ergueu a sobrancelha.
- Eu estava indo ao cartório e lembrei que uma amiga precisava de um abraço e de um pouquinho de esperança. - sorriu, carinhosa.
- Você sabe o que eles dizem sobre a esperança. Gera miséria eterna. - sorriu, irônica.
- Tudo bem, não precisa se armar quando for falar comigo. - Julie balançou negativamente a cabeça - A Karine também precisa de nós, então eu pensei em chamar você pra uma noite de meninas, na minha casa, amanhã.
- Eu vou. - Louise suspirou - Desculpa.
- Não se preocupa.
Julie estendeu os braços para ela, e as duas se abraçaram. Era bom ter, enfim, alguma coisa que ocupasse a mente delas. Talvez aquela noite de meninas pudesse libertar os pensamentos das três. Talvez, também, fizesse perceber que elas não precisavam de mais nada no mundo se tivessem uma a outra.

Os pais de Karine chegaram e arrastaram Karine e Felipe para uma sessão de terapia de casais. Não que eles precisassem, mas a vida de casados não era tão fácil quanto imaginavam, Helena e Richard repetiam. Sentados, no meio de vários outros casais de noivos com seus pais, os dois não conseguiam se concentrar nas palavras do terapeuta. As mentes estavam lotadas por compromissos e pendências. No final da sessão, Helena arrastou Karine até um banheiro próximo.
- Você não está feliz. - encarou a filha.
- Não é isso, mãe, é só que… - suspirou - Eu fiz tudo errado, mais uma vez. - riu.
- Claro que fez, mas e daí? As melhores pessoas nascem dos piores acidentes.
- Mãe! - as duas riram.
O mundo poderia estar desabando, Helena sempre dava seu jeito de tornar as coisas melhores para Karine. Em meio a toda a correria que seria até o casamento, que aconteceria em um mês, elas estavam sendo a força que precisavam. Ainda que o noivo estivesse distante, ainda que ela não se sentisse pronta, aquele casamento precisava acontecer.

CHAPTER XIV - Eyes

Karine sentou-se no gramado do Central Park e começou a rabiscar algumas coisas na folha de papel. Seus pais chegariam em algumas horas, e ela mal pensara em alguma coisa para o casamento. Julie estava ocupada, organizando os documentos necessários para que a cerimônia acontecesse. Louise não estava em uma fase muito boa para se pedir esse tipo de ajuda e Patrícia estava… Sumida. Mais cedo, Felipe ligara avisando que precisaria ir ao estúdio para coordenar a gravação de uma cena extra, e ali estava ela, sozinha, precisando escolher entre dois tons de branco diferentes. Aliás, tudo parecia branco pra ela.

- Precisa de ajuda? - alguém sentou ao lado dela. Era Rafael.

- Você deveria estar trabalhando ou pegando no pé da Ju. - ela riu.

- Bem, um passarinho verde me disse que você ia estar confusa entre o gelo ou branco tradicional. - ele puxou a palheta de cores da mão dela.

- Detesto escolher cor. - coçou a cabeça - Acho que prefiro casar de preto.

- Claro, Karine - ria - Acho que a cor champagne combina mais com você. - apontou, mostrando para ela.

- É ótima. - suspirou - Eu não sei se estou pronta pra isso.

- Casamento?

- Casamento, um filho, passar o resto da minha vida com alguém que eu sei que não me ama de verdade. - ela ergueu a sobrancelha.

- Vamos conversar sobre isso tomando um café? - ele levantou-se, puxando-a - Uma boa mãe nunca deixa o filho passar fome.

Depois de longas horas de conversa, Rafael conseguiu fazer com que ela melhorasse o humor. Definiram algumas coisas do casamento, o gosto dele era bem parecido com o de Julie. O casamento aconteceria no The Plaza Hotel, seguindo todo o tradicionalismo. A decoração, em champagne e branco puro, acompanhariam o tom do vestido dela. Velas seriam espalhadas por todo salão de eventos, e uma tenda com flores seria montada a espera dos noivos. Karine começara a ficar feliz.

Mas era claro que ia acabar acontecendo. Ele estava deitado, na cama dela, beijando ela. Patrícia disse que estava carente, ele estava carente, ela havia perdido os quilos da adolescência, ele havia crescido um pouco, e pronto. Mesmo que ela fosse, agora, a ex do seu amigo, isso pouco importava. Matheus estava agarrando garotas em Londres e ele estava suprindo a necessidade da outra.

- Espera. - ela o empurrou - Vamos conversar. - sentou-se na cama.

- Ótimo momento pra conversar. Quer falar sobre o que? Gnomos? - ironizou.

- Quero saber como terminou seu rolo com a Vitória. - suspirou - E com a Karine.

- Nunca tive nada sério com a Vitória, e a Karine vai mesmo casar com o Felipe. - ele riu - Já conversamos?

Ela sorriu e pulou de volta para cima dele. Que aquilo não era certo com os sentimentos dela, sabia. Que aquilo não era certo, por causa da amizade entre Robert e Matheus, sabia também. Mas queria viver. Queria aproveitar aquilo que recebeu da vida.

Louise se tornara fria. Tentar aproximar-se do marido não estava dando certo, e passar boa parte do dia sozinha foi tornando-se comum para ela. Por isso o susto quando Julie desceu do carro e andou em direção a ela, que cuidava do jardim. Provavelmente, a notícia de que ela e Daniel poderiam estar se separando chegara aos amigos. Levantou-se e cruzou os braços.

- Veio perguntar alguma coisa? - ergueu a sobrancelha.

- Eu estava indo ao cartório e lembrei que uma amiga precisava de um abraço e de um pouquinho de esperança. - sorriu, carinhosa.

- Você sabe o que eles dizem sobre a esperança. Gera miséria eterna. - sorriu, irônica.

- Tudo bem, não precisa se armar quando for falar comigo. - Julie balançou negativamente a cabeça - A Karine também precisa de nós, então eu pensei em chamar você pra uma noite de meninas, na minha casa, amanhã.

- Eu vou. - Louise suspirou - Desculpa.

- Não se preocupa.

Julie estendeu os braços para ela, e as duas se abraçaram. Era bom ter, enfim, alguma coisa que ocupasse a mente delas. Talvez aquela noite de meninas pudesse libertar os pensamentos das três. Talvez, também, fizesse perceber que elas não precisavam de mais nada no mundo se tivessem uma a outra.

Os pais de Karine chegaram e arrastaram Karine e Felipe para uma sessão de terapia de casais. Não que eles precisassem, mas a vida de casados não era tão fácil quanto imaginavam, Helena e Richard repetiam. Sentados, no meio de vários outros casais de noivos com seus pais, os dois não conseguiam se concentrar nas palavras do terapeuta. As mentes estavam lotadas por compromissos e pendências. No final da sessão, Helena arrastou Karine até um banheiro próximo.

- Você não está feliz. - encarou a filha.

- Não é isso, mãe, é só que… - suspirou - Eu fiz tudo errado, mais uma vez. - riu.

- Claro que fez, mas e daí? As melhores pessoas nascem dos piores acidentes.

- Mãe! - as duas riram.

O mundo poderia estar desabando, Helena sempre dava seu jeito de tornar as coisas melhores para Karine. Em meio a toda a correria que seria até o casamento, que aconteceria em um mês, elas estavam sendo a força que precisavam. Ainda que o noivo estivesse distante, ainda que ela não se sentisse pronta, aquele casamento precisava acontecer.


CHAPTER XIII - Curious

Robert tinha uma nova agente. Depois do incidente - briga entre Karine e Vitória - os jornalistas chatos aumentaram a marcação com ele. O jeito foi pedir a ajuda da amiga. Uma semana após o acontecido, o contrato com a emissora sendo renovado e o nervosismo com os testes para o filme que ele teria de fazer, Patrícia apareceu no corredor ao fim da gravação.
- O que o meu chefe acha de irmos a um barzinho, beber e cantar no karaoke? - ela riu.
- Acredito que seja uma ideia encantadora, cara agente. - ele respondeu, com sotaque.
- Precisamos comemorar, afinal, você conseguiu o papel na peça. - mordeu os lábios, alegre.
- Consegui? - ele gritou - Vamos agora ligar pra todo mundo! - enganchou no braço dela e arrastou-a para fora do set.
A amizade entre os dois era forte. Ele sabia que ela e Matheus haviam terminado na semana anterior, sabia que não poderia esperar muito de Karine e pensava se toda aquela amizade não seria algo a mais. Balançou a cabeça e desistiu de pensar sobre aquilo.

Felipe chegou a casa dela. Hesitou em entrar, a situação não parecia nada boa. Sabia que deveria ter conversado, ela e Robert não estavam fazendo nada demais. Sempre foram amigos, sempre tiveram um relacionamento tranquilo, e o outro era seu amigo, jamais faria qualquer coisa para machucá-lo. E ainda havia o fato de que ele estava fazendo a mesma coisa com ela. Abriu a porta e encontrou-a encolhida no sofá.
- Tudo bem se eu entrar? - perguntou.
- Pode. - ela esfregou os olhos enquanto ele sentava-se na frente dela.
- Desculpa. - suspirou - Eu deveria ter deixado você dizer alguma coisa, não saído feito um louco.
- Não, você estava certo. - chorava - E se você acha melhor nós pararmos por aqui, tudo bem, eu vou entender…
- Karine, não, eu amo você. - ele segurou o rosto dela.
- Eu também. - eles se beijaram - E eu preciso te contar uma coisa.
- O que? - afastou-se, com as sobrancelhas arqueadas.
- Eu estou grávida.

Ele entregou um pacote para ela. Um embrulho cor de rosa, amarrado por uma fita desajeitada, como só ele sabia fazer. Julie sentou-se e abriu. Um pequeno globo de neve, com um castelo. Ela sorriu, ajeitando o cabelo. Agradeceu e perguntou qual o motivo. Rafael segurou a mão dela.
- Eu estava andando por aí e lembrei que você ama neve. Também lembrei que você ama Game of Thrones. - ele riu - Vi em uma vitrine e achei que ficaria lindo na cabeceira da sua cama.
- Nem tenho como agradecer por ter lembrado de mim. - ela mordeu os lábios - Eu sempre detestei receber presentes fora de hora, mas esse… É especial.
- E sempre que você olhar pra ele, vai lembrar de mim, o que é melhor.
Os dois sorriam, abraçando-se. Ninguém conhecia Julie tão bem quanto ele - tirando Karine. Apenas ele para conseguir agradá-la com um presente inesperado, visitas inesperadas, carinhos inesperados. Não sabiam explicar onde aquilo havia começado, mas crescia cada vez mais forte.

Helena e Richard ficaram nervosos com a ligação da filha. Mais, quando Karine deu a notícia. Pediram a ela que apressasse o casamento. Mesmo com todo o jeito dela, os pais sempre pediram que ela se cuidasse, protegesse a imagem. Claro, é difícil proteger-se com um milhão de paparazzi esperando o mínimo suspiro, mas que coisas como essa não acontecessem. Então, antes que a notícia se espalhasse, era melhor que o casamento acontecesse. Sentaram-se, lado a lado, na sala de estar da casa deles e começaram a olhar fotos da filha quando pequena.
- Nós vamos ser avós. Acredita que ela cresceu mesmo? - ele falou, rindo, sem graça.
- Parece que sim. - suspirou, girando o corpo para ele e apoiando a cabeça nos punhos - Vamos precisar ir pra lá o mais rápido. Ela não vai conseguir se organizar sozinha.
- Eu pedi tanto pra que isso não acontecesse. - ele escorou a cabeça no sofá - Eu amo a Karine, mas as atitudes dela me deixam tão decepcionado.
- Não podemos julgar ela. O Felipe é noivo dela, tem um futuro bom, e mesmo que tenhamos dito pra ela não ficar com ele antes, a situação mudou. - fechou o álbum e levantou-se.
- Vai arrumar as coisas? - Richard cruzou os braços.
- Nós vamos amanhã cedo.

CHAPTER XIII - Curious

Robert tinha uma nova agente. Depois do incidente - briga entre Karine e Vitória - os jornalistas chatos aumentaram a marcação com ele. O jeito foi pedir a ajuda da amiga. Uma semana após o acontecido, o contrato com a emissora sendo renovado e o nervosismo com os testes para o filme que ele teria de fazer, Patrícia apareceu no corredor ao fim da gravação.

- O que o meu chefe acha de irmos a um barzinho, beber e cantar no karaoke? - ela riu.

- Acredito que seja uma ideia encantadora, cara agente. - ele respondeu, com sotaque.

- Precisamos comemorar, afinal, você conseguiu o papel na peça. - mordeu os lábios, alegre.

- Consegui? - ele gritou - Vamos agora ligar pra todo mundo! - enganchou no braço dela e arrastou-a para fora do set.

A amizade entre os dois era forte. Ele sabia que ela e Matheus haviam terminado na semana anterior, sabia que não poderia esperar muito de Karine e pensava se toda aquela amizade não seria algo a mais. Balançou a cabeça e desistiu de pensar sobre aquilo.

Felipe chegou a casa dela. Hesitou em entrar, a situação não parecia nada boa. Sabia que deveria ter conversado, ela e Robert não estavam fazendo nada demais. Sempre foram amigos, sempre tiveram um relacionamento tranquilo, e o outro era seu amigo, jamais faria qualquer coisa para machucá-lo. E ainda havia o fato de que ele estava fazendo a mesma coisa com ela. Abriu a porta e encontrou-a encolhida no sofá.

- Tudo bem se eu entrar? - perguntou.

- Pode. - ela esfregou os olhos enquanto ele sentava-se na frente dela.

- Desculpa. - suspirou - Eu deveria ter deixado você dizer alguma coisa, não saído feito um louco.

- Não, você estava certo. - chorava - E se você acha melhor nós pararmos por aqui, tudo bem, eu vou entender…

- Karine, não, eu amo você. - ele segurou o rosto dela.

- Eu também. - eles se beijaram - E eu preciso te contar uma coisa.

- O que? - afastou-se, com as sobrancelhas arqueadas.

- Eu estou grávida.

Ele entregou um pacote para ela. Um embrulho cor de rosa, amarrado por uma fita desajeitada, como só ele sabia fazer. Julie sentou-se e abriu. Um pequeno globo de neve, com um castelo. Ela sorriu, ajeitando o cabelo. Agradeceu e perguntou qual o motivo. Rafael segurou a mão dela.

- Eu estava andando por aí e lembrei que você ama neve. Também lembrei que você ama Game of Thrones. - ele riu - Vi em uma vitrine e achei que ficaria lindo na cabeceira da sua cama.

- Nem tenho como agradecer por ter lembrado de mim. - ela mordeu os lábios - Eu sempre detestei receber presentes fora de hora, mas esse… É especial.

- E sempre que você olhar pra ele, vai lembrar de mim, o que é melhor.

Os dois sorriam, abraçando-se. Ninguém conhecia Julie tão bem quanto ele - tirando Karine. Apenas ele para conseguir agradá-la com um presente inesperado, visitas inesperadas, carinhos inesperados. Não sabiam explicar onde aquilo havia começado, mas crescia cada vez mais forte.

Helena e Richard ficaram nervosos com a ligação da filha. Mais, quando Karine deu a notícia. Pediram a ela que apressasse o casamento. Mesmo com todo o jeito dela, os pais sempre pediram que ela se cuidasse, protegesse a imagem. Claro, é difícil proteger-se com um milhão de paparazzi esperando o mínimo suspiro, mas que coisas como essa não acontecessem. Então, antes que a notícia se espalhasse, era melhor que o casamento acontecesse. Sentaram-se, lado a lado, na sala de estar da casa deles e começaram a olhar fotos da filha quando pequena.

- Nós vamos ser avós. Acredita que ela cresceu mesmo? - ele falou, rindo, sem graça.

- Parece que sim. - suspirou, girando o corpo para ele e apoiando a cabeça nos punhos - Vamos precisar ir pra lá o mais rápido. Ela não vai conseguir se organizar sozinha.

- Eu pedi tanto pra que isso não acontecesse. - ele escorou a cabeça no sofá - Eu amo a Karine, mas as atitudes dela me deixam tão decepcionado.

- Não podemos julgar ela. O Felipe é noivo dela, tem um futuro bom, e mesmo que tenhamos dito pra ela não ficar com ele antes, a situação mudou. - fechou o álbum e levantou-se.

- Vai arrumar as coisas? - Richard cruzou os braços.

- Nós vamos amanhã cedo.


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